Boris Johnson: O fim da sorte e o desejo de muitos

 


Neste artigo, Carlos Sousa Cordeiro, analisa a situação política no Reino Unido e as suas consequências no atual panorama europeu, nomeadamente com a guerra na Ucrânia e com a inflação que se vive no velho continente.

O Reino Unido volta a ser o centro das atenções na Europa, Boris Johnson, o primeiro-ministro que resolveu o Brexit, o primeiro ministro que muitos viam como a reencarnação de Winston Churchill caiu do poder, superando uma moção de censura, escândalos e baixos níveis de popularidade, teve então o cocktail perfeito para perder a confiança dos seus pares dentro do partido e levar a queda do governo conservador.

Boris Johnson demitiu-se da liderança dos conservadores na semana passada após uma onda de demissões em massa de membros do governo, que responsabilizam o primeiro ministro por uma série de escândalos, obviamente mostrou relutância em demitir-se mas acabou por acontecer, Contudo já deixou claro que até ser substituído pelo novo líder conservador, continuará a exercer as suas funções como primeiro ministro e sairá de cabeça erguida, porém já esta semana recebeu uma nova ameaça de moção de censura por parte do partido trabalhista, que não o quer tolerar até setembro.

No dia 5 de setembro deverá se conhecer o novo líder dos conservadores e consequentemente o novo primeiro ministro do Reino Unido. Numa lista de 11 concorrentes pelo cargo, a mesma neste preciso momento já se encontra reduzida a 8, espera-se que até ao final de agosto os processos eleitorais dentro do partido estejam concluídos e o novo líder seja revelado.

Num Reino Unido pós-brexit, com uma união cada vez mais desunida, visível pelos resultados do brexit na Escócia e na Irlanda do Norte (Além da consequente crise entre a fronteira das irlandas e ainda a baixa popularidade do Johnson nessas mesmas referidas regiões), uma consequente crise política agrava ainda mais os objetivos de reafirmação como potência mundial, afetando as vitórias que Boris Johnson realizou a nível externo, nomeadamente com a Índia, EUA, Austrália e Nova Zelândia.

O sucessor de Boris terá de tentar cicatrizar o país mas também continuar com as políticas de reafirmação do Reino Unido e com algumas políticas estruturais de Boris, essenciais para um processo pós-brexit, processo do qual muitas suas suas falhas foram ocultadas pela pandemia Covid-19 e pelo sucesso britânico no âmbito da produção de vacinas e no processo de vacinação, que em certa medida também serviram para ocultar os erros do governo inglês na gestão no inicio da pandemia.

A nível europeu, Reino Unido não deixa de ser um parceiro importante para a Europa e vice-versa e os problemas económicos e financeiros da Europa, afetam de igual forma o Reino Unido, com este por exemplo atingindo a maior inflação dos últimos 40 anos

Ainda Europa, a guerra continua assolar a Ucrânia, os russos não dão descanso à nação vizinha e o Reino Unido tem sido um dos grandes parceiros ocidentais da Ucrânia, prestando-lhe grande ajuda a nível militar, financeiros e diplomático, sendo provavelmente o seu maior defensor e promotor internacional e um dos Estados que efetivamente e quantitativamente aplicou sanções contra a Rússia, provavelmente também resultado de algumas "vinganças" devido ao abuso das autoridades russas como por exemplo o envenenamento do ex-espião russo Sergey Skripal ou o de Litvinenko, ambos opositores de Putin e ambos envenenados em zonas urbanas do Reino Unido.

É certo que o sucessor de Boris continuará com uma política forte contra a Rússia e a favor da Ucrânia, mas com a saída do antigo ministro da defesa britânico, ardo defensor da guerra na Ucrânia e na aposta de vencer a Rússia no campo de batalha, da lista de candidatos à líder dos conservadores e a primeiro ministro, não se sabe que posição ao certo terá este novo líder britânico.

Ainda se levantam outras questões como o futuro líder britânico, parar o processo de Brexit e voltar atrás, querendo então um regresso a UE, contudo esta questão parece bastante improvável neste momento e provavelmente nas próximas décadas, porém o assunto Ucrânia, será uma das poucas áreas em que os britânicos não terão problemas de trabalhar com os continentais para salvaguardar os valores europeus e claro a segurança e defesa do continente diante a ameaça russa. 

De qualquer maneira Boris Johnson deixa a sua marca tanto na governabilidade britânica, tanto na história do Reino Unido, sendo provavelmente uma das figuras mais emblemática dos últimos anos. 


 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Shinzo Abe, o homem que tentou trazer o Japão de volta

Itália: Mais uma maré de ingovernabilidade

Paquistão: Contestações