Itália: Mais uma maré de ingovernabilidade

 



A Itália mais uma vez entra numa nova espiral de instabilidade política e mais um processo de ingovernabilidade, algo que já não é novidade nestes longos anos de democracia italiana.

Mario Draghi, antigo presidente do Banco Central Europeu, guiava a Itália com um governo de unidade nacional, dentro de um sombrio panorama de crise económica, social e pós-pandémica com uma inflação crescente e uma dívida pública significativa após a queda do seu antecessor Conte, apareceu como uma esperança e uma solução miraculosa para o país mas parece que chegou também ao seu fim.

O Primeiro-ministro italiano viu-se obrigado a pedir a sua demissão ao Presidente Mattarela, por duas vezes, estas demissões foram resultado de dois processos de voto de confiança no parlamento italiano, o primeiro aprovado mas com a falta de apoio do partido M5S, o que levou a que a demissão fosse pedida pela primeira vez e o segundo também aprovado mas em troca, perdeu-se o apoio de três partidos, portanto Draghi continuaria sim mas num governo minoritário, que não poderia assim trazer a governabilidade espectável neste momento. 

Os partidos da coligação de Draghi, retiraram o apoio, rompendo a coligação de unidade nacional, motivados maioritariamente pelos resultados das mais recentes sondagens, que dá a direita e a extrema direita uma vantagem oportuna.

Mattarela, já dissolveu o governo e convocou eleições para o dia 25 de setembro e Draghi liderará um governo de gestão até a data, contudo os problemas essências da Itália não desapareceram e ainda precisarão de ser resolvidos. 

A direita italiana já forma e reforma as suas alianças, a Liga (Salvini), Irmãos da Itália (Meloni) e o Forza Itália (Berlusconi) já deixaram bem fixa a sua aliança e a esta juntaram-se outros pequenos partidos e movimentos de direita.

Por outro lado, a esquerda italiana, liderada pelo Partido Democrático de Enrico Letta, procura criar uma grande coligação progressista e que faça frente a direita. 

Agora caberá no dia 25 de setembro, os italianos irem às urnas e decidirem o futuro do país, mas também é de salientar que toda a instabilidade e ingovernabilidade pode abrir um mar gigante de oportunidades para ideias cada vez mais extremistas e antidemocráticas, sendo importante analisar e acompanhar o processo político italiano.

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