Paquistão: Contestações

 


O Paquistão tem nos seus últimos meses vivido um torrencial de crises desde climática, com vários acontecimentos climáticos extremos, a crise económica e para combinar, a crise política, para não falar das consequências também trazidos pela pandemia da COVID-19. 

Há uns três meses o famoso ex-primeiro-ministro Paquistão, Imran Khan, sofreu um golpe parlamentar, uma monção de censura que o obrigou a renunciar, perdendo a sua posição política e retirando-o da arena do poder. 

Contudo Imran e o seu partido não parecem ter desistido e sempre contando com apoio civil e militante, que contestaram tal golpe e agora neste preciso momento contestam os resultados e atribuições de mandatos em eleições locais para a Assembleia Regional do Punjabe paquistanês. Houve a invalidação de votos do partido de Khan e o questionamento em relação as leis paquistanesas.

Khan inclusive incentivou aos protestos e ainda referiu que a sua saída do poder e todo estes processos são uma conspiração dos norte-americanos e até mesmo de outros membros das elites paquistanesas. Estas acusações obviamente foram negadas pelos EUA e pelo sucessor de Khan no cargo de primeiro-ministro. 

Imran Khan chegou ainda a desafiar o seu sucessor, a convocar eleições antecipadas para demonstrar a verdadeira vontade do povo paquistanês, mas tal pedido foi recusado.

Porém ao observar todo este conjunto de acusações e todo o mecanismo político no Paquistão, é muitas vezes visível atropelos a democracia paquistanesa e a vontade dos seus cidadãos, desde as duvidas lançadas ao sistema até as próprias falhas deste mesmo e as ações maliciosas dos eleitos, a democracia aparenta estar em perigo e nada saudável. 

A própria população parece descrente na democracia e recentemente tem aviso acusações de que o exército paquistanês cada vez mais censura e tem uma posição mais forte e apertada com a imprensa, chegando haver relatos de supressões em massa, assédio, interferência nos média e claras violações à liberdade de imprensa, que por sua vez é essencial para o funcionamento de uma democracia e para a formulação de opinião pública e crítica, a sua maneira. 

A juntar-se a isso, temos ainda os altos níveis de corrupção, má governação e má gestão e um conjunto de fatores sociais, económicos e até mesmo demográficos que pressionam o sistema político paquistanês, a democracia paquistanesa, que por sua vez não consegue dar uma resposta adequada às demandas da população e do país em si. 

A democracia no Paquistão está num claro perigo e grandes camadas da população vêm em Imran Khan uma esperança para a renovar e para solucionar os problemas que os afligem.

Contudo não deve haver a ilusão de que apenas uma figura pode salvar tudo e todos, pois esta também fracassou em algumas medidas enquanto estava no poder e tentou agarrar-se a este mesmo, contudo é reconhecido e visível o esforço e vontade demonstrado por este político em concreto e o apoio que tem ganho, o que nos poderá surpreender brevemente ao acompanharmos a política interna paquistanesa. 

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