Shinzo Abe, o homem que tentou trazer o Japão de volta
Carlos Sousa Cordeiro neste artigo comenta sobre o vil e horrendo assassinato de Shinzo Abe, antigo primeiro ministro nipónico, morto no dia 8 de julho de 2022, na cidade de Nara.
Shinzo Abe, nascido no dia 21 de setembro de 1954, num Japão em reconstrução e recuperação após os anos de guerra que ocuparam os seus anos anteriores e a consequente ocupação americana no fim da guerra. Foi criado numa família com grandes posses económicas e com forte influência politica e militar, nomeadamente o seu avô materno, acusado de ser criminosos de guerra, foi fundador do PLD e serviu como primeiro-ministro entre 1957 a 1960.
Shinzo formou-se em Ciência Política na Universidade de Seikei e Políticas Públicas na Universidade do Sul da Califórnia e pouco tempo depois juntou-se a política.
Este nacionalista pragmático, tornou-se o primeiro-ministro mais jovem do Japão pós-guerra,, aos 54 anos em 2006, mas foi no seu segundo mandato que deixou uma marca fixa com uma política bem ousada de recuperação económica e imensa atividade diplomática, um ressurgir do Japão.
A sua política de recuperação económica, é chamada de Abenomics, um conjunto de politicas de flexibilização monetária, estímulos fiscais massivos e reformas estruturais, conseguiu alguns exitos, que não foram mais além devido a falta de reformas estruturais realmente suficientes.
Contudo a sua ambição máxima era modificar a Constituição Japonesa de 1947, escrita pelos ocupantes norte-americanos. Ao modificar esta, poderia recuperar o direito do país ter forças armadas a sério, não o conseguiu de todo mas conseguiu criar um Conselho de Segurança Nacional e um Conceito Estratégico próprio.
Outros dois factos interessantes também são a sua posição de recusar a carregar o fardo de arrependimento por crimes de guerra realizados pelo Japão no século XX e o facto de políticamente a nível interno não ter tido uma oposição real, os partidos rivais encontravam-se fragilizados e isso facilitou e muito a governação de Abe e que permitiu aprovar leis como o aumento da luta contra o terrorismo e da proteção dos segredos de Estado.
A nível internacional as relações com a Coreia do Sul e a China pioraram, mas o Japão durante o seu mandato tentou ser um propagador de multilateralismo, pacifismo e buscou aumentar os acordos de livre comércio e acordos de segurança com nações como a Índia e a Austrália, chegando até mesmo a intermediar entre o Irão e os EUA.
O seu último grande evento seria os Jogos Olímpicos de Tóquio em 2022, adiados para o ano seguinte devido a pandemia da Covid-19 e que por motivos de saúde, já não era Abe o primeiro-ministro, para grande desgosto seu, não teve o seu grande final.
Este político conservador, nacionalista mas de visão internacionalista, morre aos 67 anos, vilmente assassinado durante uma ação política na cidade de Nara. A Polícia capturou o suspeito do seu assassinato mas admitiu que houve falhas na segurança de Shinzo .
Não é o primeiro político japonês a ser morto, se seguirmos o histórico se xoguns e primeiros-ministros assassinados, podemos encontrar Minamoto no Sanetomo, terceiro xogum, na época de Kamakura em 1219, Ashikaga Yoshinori, sexto xogum da época de Ashikaga em 1441, Hirobumi Ito, primeiro primeiro-ministro do Japão em 1909, Hara Takashi em 1921, Osachi Hamaguchi em 1931, Inukai Tsuyoshi em 1932, em últimos Saito Makoto e Takahashi Korekiyo em 1936.
Outros políticos japoneses também sofreram atentados e ataques como Oba Nobunaga, Inejiro Asanuma e Iccho Itoh.
De qualquer das maneiras, Shinzo quebrou recordes, superou escândalos, foi polémico e sempre numa mistura de dureza e flexibilidade, o Japão agora chora a morte de uma querida figura nacional, mas o seu legado não será claramente esquecido e terá um impacto no futuro do Japão durante muitos anos.

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